Sempre situado na lua
o amor e fome no vento
que amua sempre árduas
acesso antes de apagar
jade rasgando tecidos
a sorte aliviando as dores de
um corte amando o ódio virtual
numa manhã ancestral respirando
com medo
ancestral respirando
virtual
Sempre situado na lua
o amor e fome no vento
que amua sempre árduas
acesso antes de apagar
jade rasgando tecidos
a sorte aliviando as dores de
um corte amando o ódio virtual
numa manhã ancestral respirando
com medo
ancestral respirando
virtual
Atravesso lado a lado
montanhas planícies
insaciáveis viajo
na fome no lume
que me devora amante
uma flor não longe
meu corpo mudo abre - se
a delicada urgência do orvalho
o esquecimento no outro lado
da noite o amor è possível
leva- me entre as doces substâncias
que morrem cada dia na tua imagem
na tua memória
Nunca o silêncio sem ausência
a reflexão sem as palavras gastas
que se esbatem sem o vazio que nos
preenche sempre como calor de um
abraço que nos transparece o silêncio
de um suspiro
faustofonseca
Quis um compasso de espera erguer
a manhã a altura sonâmbulo dos meus
sonhos e foi como quem apanha insónias
num campo de girrassòis despentear - te
os teus cabelos de menina ainda lua jà
mulher um fio de horizonte surgiu nos
contornos de uma gaivota que deslizou
entre dois verbos e os sonhos espalharam - se
atè ao sol do meio dia num voo raso palas
dunas do azul como búzios irrequietos
mas não da maresia ao amor trigo da nossa
erva eu sou hoje esta nova semente verso de água
Seja disponível em todo o encontro
em poesia aberta a emoção
a nudez è medida pela falta
de roupa ou pela falta de pele ?
Esta semente colhi - a junto dos nossos
mortos caídos nas batalhas nos cárceres
e verás um dia querida como è fecunda e
maravilhosa nela dormem os navios os mares
os homens coroados de espigas nela abre as asas
a ave solar da nossa esperança por isso a guardo
onde nem os homens nem as chamas dos novos
infernos a poderão destruir è na pureza dos seios
incomparáveis amamentando esta criança que
tranquilamente a semeio
O que nos leva è indestrutível
esta semente colhi - a junto
dos nossos mortos nas batalhas
caídos colhi - a querida nos careceres
e nos acùleos e verás um da querida como
fecunda
ès a sucessão do passado a constante do presente e o silêncio do futuro ès a palavra imaginada feita amor