a constante do presente
e o silêncio do futuro
ès a palavra imaginada
feita amor
a constante do presente
e o silêncio do futuro
ès a palavra imaginada
feita amor
dentro do meu corpo
a berrar a sentença dentro
do meu cérebro não lhe consigo
dar - lhe voz ela sufoca - me
a caminhar no incerto
com a dimensão do teu
interior acorrentaste
o teu coração ao meu
achei que seria igual
mais uma paisagem colorida
com cores novas intensas
mais quente mas não deixava
de ser uma paisagem
a afundar - se pétala
por pétala atè a raiz
rasgar - me a pele
ferir - me atè ao miocárdio
e gravar um singela derrota
mais uma a querer contornar
essa simulação de existência
alguém sò porque
e os meus olhos
viam paisagens
que eram o oxigénio
que o meu jardim
precisava
olhei para ti apaixonei - me
por ti derretes - me pelos efeitos
visuais e dai colorir a vida a minha
volta
inventadas à sombra
do calor do corpo
ouço a imensidão do rio
galgando as areias fundas da foz
no pequeno quarto
que o amor transborda
e os rios desaparecem
do olhar nos instantes
em que as mãos se alinham
nas muitas formas de desaguar
contra esse sol que as nuvens cega
na vastidão da pele no horizonte do tacto
as cores num âmago pleno de mar ou o azul
que acompanha a lágrima a felicidade ardente
se espraia
que o coração vai ditando
palavra a palavra gela a gota
os meus versos são poemas
derramados !
um dois três anos o infinito !
esperei em casa um telefonema teu
mas tu não telefonas estás longe não
sei se o dinheiro chega ?
apetece - me despedaçar este telefone mudo !
escreveu :
« o silêncio è desumano e a paz morreu »
a dor è a minha droga e o telefone
o meu alimento injecto - me todos os dias
com dores vadias !
trago sempre comigo
não vais tu telefonar - me
falo sozinho ao telefone
desenho o teu rosto na praia
e o telefone na minha mão
falo sozinho ao telefone olhando
para a areia mas desligo o telefone
e o teu rosto è apagado pela maré
cheia !
e a dizer è pela sua sombra
unida tão suave ao meu nome
là longe na chuva no minha memória
pelo seu rosto ardendo no meu poema
disperso formosa mente um perfume
de uma amada desaparecida
sem que a maioria do povo a reconheça
ela não pertence ao léxico de palavras
comuns e os políticos a referem quase
sempre com a violência de uma retórica
vã mas seja qual for a substância dos seus
símbolos bronze ou pedra bandeira chama
ou musica ou palavra nòs sabemos
que ela està viva e vitoriosa sobre todos
os obstáculos e desastres
grávida de um futuro de comum liberdade
sobre o sol sem luz da alma cativa
que encerra no silencio do teu fogo cintilante
assim estou eu sem estar mesmo no poema
sò suspiro clamo ou grito como uma árvore
escarnecida que projecta no espaço a suplicante
nudez de braços ressequidos mas traça tambèm
o percurso da ave migratória que a primavera trará
em obediência a esse circulo vital de solar volúpia
um sò gorjeio de ave branca cujo voo se espraia
no desejo irrompe da concha delicada
para que as manhãs acordassem
no vela me inquieto da claridade
as sombras fundeassem frescas
pelas paredes opacas do meio - dia
e os entardeceres rebentassem em
sotaventos
num quarto todas as casas deviam ter uma varanda
para o mar uma janela um parapeito um olhar ...
das gaivotas e nos contornos
lisos das manhãs decomponho
os gestos do meu olhar nos teus olhos
ergueu - se a maresia
e a fonte para a mata - la
aqui céu horizonte e o voo
a fuga a súbita viajem
não conheço não sei outro
pais
o meu amor feliz
ou infeliz porque me escondes
a minha própria imagem
pergunta - me porquê
porque os gozo
respondo
gozar uma floresta è estar
inconscientemente ao pé dela
è ter a noção do perfume nas
nossas ideias mais apagadas
quando reparo não gozo
fecho os olhos
è o meu corpo que està entre a erva
no esconderijo do meu ouvido
há sò tu deixei de escrever
já là estava tudo quando peguei
nisso foi a mim que muito me escapou
e sò em ti o secreto tesouro o musgo
o e o âmago
um passarinho e já não digo
è tão bonito ficares a olhar para tua
esperança
sem estudada intenção
mas impor o esforço de continua - lo
ou sumariamente apaga - lo com ou sem
intenção
meu amor deixa - te onde for !
sê disponível em todo o encontro
em poesia aberta a alma à emoção
demais aceitação !
descobrimos cidades novos horizontes
novos amores chegou o momento
de seguirmos em frente sozinhos de experiência
compartilhada no percurso atè aqui seja a alavanca
para alcançarmos a alegria da chegada ao destino final
è o amor e depois ? o meu peito contra o teu ficamos
os dois a imaginar ?
o meu peito contra o teu a cantar o mar num leito cortando o ar
há todo o espaço para amar ?
tornam - se no outro
renova - se e sucedem gerações
e coisas são cada vez mais ao fundo
soterrados alicerces piso cova sob
os passos em que pisas apartados
a reboque ao desconecto de valores
e poderes que podemos cristalizados
cria musica pelo silêncio das armas
embainhadas de tambores silenciados
de corpos sepultados na paz em nome da vida
ès a sucessão do passado a constante do presente e o silêncio do futuro ès a palavra imaginada feita amor