sexta-feira, 27 de maio de 2022

em ti

em ti estão as leivas as fontes e as sementes

os mais secretos caminhos em ti as searas

futuras ainda mas tão magnificas e reais

que da tua epiderme já  brota o calor suave

e o olor das espigas ou do teu sexo ?

ergue lenhador o teu machado assenta

o golpe no tronco necessário dà começo 

ao teu trabalho golpe a golpe ergue - te

a consciência do tempo que crias e que

independentemente de ti ò lenhador


te arrasta implacável e sereno assim querida 

te golpearei   te beijarei onde não ès mais


que o teu próprio princípio para além da carne que te veste


harmoniosamente



 

quinta-feira, 26 de maio de 2022

suavidade

em ti a suavidade a força

a medida exacta a palavra

uma vez dita !

em ti a arquitectura a musica

perfeita a harmonia das cores

 e dos volumes em ti a poesia

a fecundidade o tempo tu o medes

o alongas e o amesquinhas o tempo

sopras dos teus lábios o tempo

escoa - se por entre os teus cabelos
 

amor

tu ès o tempo amor amor em ti minha inteira

condição minha miséria e grandeza minha

humanidade plena em ti minha  dignidade

ò sopro ò renovação incessante tenaz pura

e veemente como o aço a raiva e a doçura


do nosso desejo !
 

antes de ti

antes de ti o vago a desolação a não existência

querida falo - te quase sem palavras sepultado

no silêncio  e na trevas deste cárcere e canto

nossa glória humana condição em ti existo

em ti me encontro em ti espero  hoje com ontem

e amanhã inexoravelmente rebenta ò árvore

 abandonada no inverno do áspero caminho

canta ò ave intranquila do amor teu sonho


 tua planície 
 

Tempo

onde existir o tempo se tu para mim

não existias sò tu lhe dàs realidade

sò tu ès o fluir tudo està suspenso em ti

a esperança a vida o desespero a morte

tu ès a hora o dia o equinócio tu a manhã


a primavera a flor os frutos o umbigo

os seios a noite as estrelas na profunda


noite


sò em ti a vida somente em ti a morte


sò em ti a expressão o significado
 

Irremediavelmente

o tempo começou agora que chegaste

e è maravilhoso como todo o seu significado

se perdeu e se ganhou um vazio antes de ti

um vazio infinito depois de ti se te fores

ò meu amor ! mas tu jamais te apartarás 

de mim o mesmo è dizer da tua própria

essência falo  em termos absolutos

bem sabes !
 

somente a descoberta

nada há em mim que em vòs não esteja

somente a descoberta um por um tereis

de fazê - la

um galo canta na manhã futura

espanta a noite escura

abre - se floresce

como um clarim ou será que amanhece

dentro de mim ?

aqui onde tudo acaba e principia

sol que nunca se esconde noite que sempre


foi dia para além de mim està a minha presença nos continentes

calmo è o dia da minha face sei noite nem dia eis o norte e o sul


o leste e o oeste quem traz no peito o solstício de verão ?

sò quem no fundo das pròprias trevas eia !


tem asas e iras para todos os ventos ... 
 

basta !

não não me venham com vãs filosofias ou morais

duvidosas basta ! deixai as convenções atrás da porta

para os que vierem simples e nus eu estarei no átrio

e os receberei estou a edificar a minha casa no topo

do mundo dentro de mim mesmo e em verdade vòs

comigo estais a edificar sò de ouvir - me ainda

que me acheis singular ou  talvez idiota que os

 versos sejam traves pedra cimento e aço


 

Vento

eu sou o vento que havia de vir

venho das terras onde os homens

 já nasceram irmãos

e eu se que já nada nos pode

separar

beijo os brancos e os negros

e todas as raças na face


sopro e trago comigo as chuvas e os poemas

canto levo as sementes redentoras lanço - as


conscientemente eu sou o vento semeador

as minhas sementes são homens e mulheres


e o meu gesto è o mais belo que o mundo viu


da terra negra os homens e mulheres novos brotam

e erguendo os braços o sol veste de fraternidade


eu sou o vento que havia de vir o vento necessário

escutai a canção admirável de meus lábios de poeta 


e deixai  que eu passe 


eu quero beijar suavemente os seios e o sexo em flor


das mulheres magnificas que estão a conceber


deixai que eu passe bonançosamente e semeie em paz

quando não passar de qualquer forma serei o furacão


que tudo subverte pois a sementeira terá de ser feita
 

Ò minha amada

quem foi que despenteou os teus cabelos

ò minha amada ? que cálido olor ou ventos

erectos teus seios os bicos roxos `? com  que

 sopro ? com que sémen te fecundei ?

ò clara brava companheira que ao meu lado

jamais temeste precipícios ou sombras là no

fundo dos teus mares que pequeníssimas mãos  

se agitam ? que navio irrompe do teu sexo vindo

dos confins da oceânica noite com marinheiros

de todas as raças trepados nos mastros ?


que súbita aurora deflagra a nossa volta ? que gritos de revolta

dor e triunfo se desfraldam nos ares surpreendidos ?


eia ! companheira è o teu filho que chega !


são as mais poderosas forças do mundo abrindo entre sangue e dor


è a primavera que canta nos nossos troncos mortos è o rebentar das folhas


ramos olhos e mãos dos gomos secos são o grito dos gaios com cio nos montes


 de todo abertos e as searas de braços que nascem nos campos despovoados

são fontes e mares que rebentam e homens de rosto sereno para reerguer  as


cidades são mastros e velas que nascem e olhos e mãos de cacos podres dos nossos


barcos submersos e são homens audazes e belos crescendo ao leme e à proa è a primavera


mais bela das idades que chega com arados asas e iras jamais suspeitadas para acordar a força


que dorme nos corações parados è o homem despindo raios das pontas dos dedos


vento do norte vento do sul homens e mulheres soprando das trinta e duas pontas


da rosa dos ventos 
 

canto de amor

è o canto do amor que està a tocar longe

no meio das gândaras esta alameda

não tem fim nem a primavera terá fim !

que surto longínquo  canto è este

 meu amor e donde  vem esta alvorada?
 

Meu país desgraçado

meu país desgraçado !

e no entanto há sol a cada canto

e não há mar tão lindo noutro

lado nem há céu mais alegre 

do que o nosso nem pássaros

nem água

meu país desgraçado 


porque fatal engano ?


que notáveis teus direitos crime berços


violaram ?


meu povo de cabeça pendida mãos  caídas


de olhos sem fé


busco fora de ti a onda a causa  da miséria

se te escondo em nome dos direitos 


que te deram a terra o sol o mar


fere - a sem dò como o lume do teu antigo olhar


alevanta - te povo


ah ! visses tu nos olhos das mulheres caladas 

censura que te reclama filhos mais robustos


povo anémico e triste  meu Pedro Sem sem força

sem haveres !


olha a censura muda das mulheres !


vai - te de novo ao mar !


reganha tuas barcas tuas forças e o direito de amar


e fecundar as que sò por amor desprezam !


 

Pequeno poema

quando eu nasci ficou tudo como estava

nem homens cortavam veias nem o sol

escureceu  nem houve estrelas a mais

somente esquecida das dores da minha mãe

sorriu e agradeceu

quando eu nasci não houve nada de novo

senão eu as nuvens não se espantaram não

enlouqueceu ninguém para que o dia fosse


enorme bastava toda ternura que olhava

nos olhos de minha mãe
 

Pureza

vem toda nua ou senão consentir o teu pudor

vestida de vermelho teus lábios brancos o azul

que desmaia de tuas sedes finas guarda  - os

para outros dias para quando o amor teu ventre

 já redondo merecer a pureza do azul
 

Poesia depois da chuva

depois da chuva o sol a graça

oh ! terra molhada  iluminada !

e os regos da água atravessando

a praça luz a fluir num fluir quase

imperceptível cata alegre um pássaro

qualquer logo a seguir nos ramos nus

esvoaçava o fundo è branco cal fresquinha


no casario da praça guizos rodas rodando vozes

claras no ar tão alegre  há Deus tivera -o eu negado


antes do sol não duvidara agora ò tarde virgem Maria

ò tarde igual as manhãs do princípio e tu passaste flor


dos olhos pretos que eu admiro grácil tão grácil pura

imagem da tarde foi levada nas águas tão mansamente 


( fluía a luz num quase imperceptível )


 

Madrigal

a minha história è simples a tua meu amor

è bem mais simples ainda era uma vez

uma flor nasceu à beira de um poeta

vês como è simples e linda ?

o resto conto depois mas tão sò tão

de manso que sò escutemos os dois ...
 

Dezoito Graus cèlticos

aqui estão dezoito graus cèlticos

e o meu coração acordou hoje

a sentir vinte dois graus cèlticos

adormeceu e acordou na cidade

do Rio de Janeiro onde viveu


carinhosamente luzidamente no coração

amando perdidamente cheio de amor


onde aprendeu amar e o valor do amor


não percam a vida sem que colham a flor


do amor


obrigado meu amor por luzires e dares cor

a este pobre coração


amo - te minha esbelta princesa

               beijos ...
 

Luz

luz expressa no céu passagem fulgente

silenciosa manhã coberta de nuvens

obscuras que não deslumbram a luz

cobrindo o ciclo giratório da vida

desperdiçando tempo deitado ao lixo

ao nada da nossa existência tudo em vão

vazio absoluto atirado ao vento ao nada

por te amar assim deste jeito sem jeito
 

amo - te

luzindo na imensidão do teu olhar

olhos luminosos puros transparentes

que vêem para além do ser voas 

ao encontro das estrelas na imensidão

do luar caminhas passo a passo

 palmilhando no imenso céu no alto

da terra e voas para além do horizonte

teu ser transparente ilumina a lua

acalenta o mar e elevas a luz a terra

com o teu sorriso alegre irradias a terra


com o teu meigo olhar ...
 

Kanimambo ( Obrigado )

Kanimambo obrigado  pela frontalidade de olhar 

nos teus olhos obrigado de olhos nos olhos

Kanimambo obrigado poro a poro

pela clareza pelo brio nos teus olhos

pela tua coragem  de me amares kanimambo

obrigado pela coragem que me dàs para te

dizer o quanto te estou grato pelo teu sorriso


que me dàs a cada momento saboreio deliciosamente

cada trago deste nosso amor ès muito importante para


mim ès exuberante Kanimambo obrigado  por me ajudares

a quebrar o gelo e seguir em frente amando - te


efusivamente


dàs - me o melhor do mundo


o pranto gastronómico mais maravilhoso que possa existir


a face da terra contigo saboreio as palavras com amor

com delicia  matas a minha sede e a minha ansiedade


ajudas - me a apreciar melhor o  gourmè no que toca as palavras
 

Quebra gelo

significa  que nada è um milagre

se deve ser o que será ?

ès o meio e a ferida abrindo - se

desde o gelo a cadência através

da terra  brusca quando a pilhagem

se entregarem aos corvos onde quer 

que passais o verde fala rumo a ti e

estaca o silêncio força o inverno

nos olhos a primavera muito tenho

a dizer o quão grato estou Kanimamdo


( Obrigado )

                      palavra nativa  Ronga e Changana Sul de Moçambique

                                      Entre Bela - Vista  Maputo e  Gaza
 

porque eu te amo

ès a sucessão do passado a constante do presente e o silêncio do futuro ès a palavra imaginada feita amor