quinta-feira, 26 de maio de 2022

Ò minha amada

quem foi que despenteou os teus cabelos

ò minha amada ? que cálido olor ou ventos

erectos teus seios os bicos roxos `? com  que

 sopro ? com que sémen te fecundei ?

ò clara brava companheira que ao meu lado

jamais temeste precipícios ou sombras là no

fundo dos teus mares que pequeníssimas mãos  

se agitam ? que navio irrompe do teu sexo vindo

dos confins da oceânica noite com marinheiros

de todas as raças trepados nos mastros ?


que súbita aurora deflagra a nossa volta ? que gritos de revolta

dor e triunfo se desfraldam nos ares surpreendidos ?


eia ! companheira è o teu filho que chega !


são as mais poderosas forças do mundo abrindo entre sangue e dor


è a primavera que canta nos nossos troncos mortos è o rebentar das folhas


ramos olhos e mãos dos gomos secos são o grito dos gaios com cio nos montes


 de todo abertos e as searas de braços que nascem nos campos despovoados

são fontes e mares que rebentam e homens de rosto sereno para reerguer  as


cidades são mastros e velas que nascem e olhos e mãos de cacos podres dos nossos


barcos submersos e são homens audazes e belos crescendo ao leme e à proa è a primavera


mais bela das idades que chega com arados asas e iras jamais suspeitadas para acordar a força


que dorme nos corações parados è o homem despindo raios das pontas dos dedos


vento do norte vento do sul homens e mulheres soprando das trinta e duas pontas


da rosa dos ventos 
 

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porque eu te amo

ès a sucessão do passado a constante do presente e o silêncio do futuro ès a palavra imaginada feita amor